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Eleições pop (ou como eu prefiro acompanhar as eleições norte-americanas do que a brasileira)

Não é novidade que o Obama transformou o modo de se fazer campanha política e conseguiu atravessar fronteiras, atraindo simpatizandes ao redor do globo.  Até hoje não parei pra pesquisar quem está por trás de todo o marketing do de Barak, ainda assim por melhor que seja a estratégia, Obama também conseguiu muita mídia espontânea. Pensando em tempos em que o seeding é considerado muito importante para campanhas, inclusive em busca de uma certa credibilidade dada pelo ‘real’ consumidor, lembrei da primeira referência pop que tive de Obama.

Antes das camisetas, cartazes e máscaras, dos anúncios em jogos de videogame e da compra de espaço no horário nobre das principais televisões americanas, lembro de Obama porque Rory Gilmore foi cobrir a campanha dele. Sim, Rory Gilmore, a filha do seriado Gilmore Girls, que acabou em maio de 2007. Rory fazia um curso equivalente a Jornalismo, nos EUA não tem bem curso de Jornalismo ou Comunicação Social, foi editora do jornal de Yale e sua ‘ídala’ era Christiane Amanpour (que marcou quando na segunda guerra do Iraque fazia coberturas in loco, falando normalmente com bombas, muitas bombas caindo em segundo plano). Rory conseguiu um emprego em uma revista para cobrir toda a campanha de Obama rumo a nomeação e a uma possível presidência, como ela diz na série, talvez fique dois anos na estrada. Apesar de todo o modo confuso que a votação e a apuração ocorrem nos EUA, acho muito interessante o modo que a população se evnvolve nas eleições. Essa história de viajar, conquistar eleitores discursos a discurso, ocorre em diversos países, mas lá parece que é vivida de forma mais intensa, mesmo que metade da população não vote, por que não quer.

Rory e Obama (encontrei o vídeo num canal do You Tube pró Obama)

Acho que foi nas Eleições de 2004, quando ainda assinavámos Folha aqui em casa, acompanhei uma série de reportagens do Sérgio Dávila, cujo objetivo inicial era cobrir as eleições seguindo a Rota 66, imortalizada por Jack Kerouac. No livro do escritor beat temos muito da realidade norte-americana nos anos 40, Dávila tentou recuperar isso, com um olhar mais ‘eleitoreiro’. No blog dele os arquivos vão até 2005, não consegui recuperar nenhuma matéria.

Há tempos tinha um post sobre Obama na pauta,  o ânimo para escrever veio com um achado sobre McCain. Na verdade o blog da filha de McCain. Semana passada vi aqui e depois aqui, referências ao McCainBloguette, um verdeiro diário virtual das eleições, alimentado por Meghan McCain, filha mais velha do segundo casamento do senador. Ela tem 24 anos, é formada em História da Arte pela Universidade Columbia, em Nova Iorque (olhando por cima, dá pra pensar que seria uma pontecial democrata) e está vijando com os pais para a campanha. Meghan tem um estilo patricinha descolada, combina Louis Vuitton com All Star, sua banda preferida é Ramones e ela trabalhou na produção do Saturday Night Live, berço de democratas mais que declarados como Tina Fey, que tem feito caraterizações fantásticas da candidata a vice de McCain, Sarah Pallin.

Tina faz a Pallin

O blog tem mais fotos que textos e a blogueira tenta fazer algo na linha ‘gente como a gente’, falando um pouco de sua vida pessoal, mostrando cenas íntimas da família e principlamente muitaaaa empolgação com a campanha, seja numa viagem filantrópica com mãe pela Ásia, seja num econtro com Linda Ramone (!). O curioso de McCainBloguette é o seguinte: dizem que não é exatamente uma jogada de marketing, que foi criado por vontade de Meghan. Não sei quem lembra, no primeiro semestre de 2008, John McCain foi muito atacado porque falou mal da internet e de blogs, não consegui achar a data exata do início do blog de sua filha (a organização de arquivos ali é meio tosca) o post mais recente que tive paciência pra alcançar é de fevereiro de 2008.

Uma das principais armas de Obama foi o uso da Internet, que serviu tanto pra conquistar uma fatia mais jovem do eleitorado quanto pra espalhar a obamamania pelo mundo. Sigo dois perfis dele no Twitter, o segundo é o que tem mais seguidores no microblog, e no sábado ‘votei’ nele via TwitVote. Os dois candidatos tem sites com cara de Portal, o de Obama, com um ar mais clean, o de McCain mais polúido, cheio de banners.

Marketing ou não, o blog de Meghan McCain é um blog legal. Sim, é muito interessante ver a campanha pelos olhos da filha, ainda mais por se tratar de uma filha sem medo de mostrar um lado mais íntimo da família. Não soube de algo parecido na campanha de Obama e, salvas as devidas proporções, o blog dela me lembrou um pouco do Entreatos, que é um caso raro de cobertura pós-eleições.

E pra fechar com o pop, um dos vídeos da série Paris Hilton para presidente, resposta da patricinha a uma propaganda de McCain que criticava a forma como Obama havia se tornado celebridade, comparando-a a Paris Hilton e Britney Spears, dando a entender, é claro, que Obama perderia as estribeiras. Paris saiu-se muito bem na sua resposta, nisso acho que McCain mordeu a língua.

O vídeo original está no funnyordie.com (o embed não funcionou  e essa reportagem da CNN é divertida, quando Paris fala bitch, dá aquele piiii)


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