Archive for October, 2008

(un)coolhuntismo – parte I

Agora é tendência ser caçador de tendência. Já saiu na Veja, na Isto É, na Época, em vários programas de tv. Tentar descobrir o que se passa, não só para pensar a identidade de gerações, mas também para prever o que essas pessoas vão querer daqui algum tempo. E não importa o quão diferente, ou descolado, tudo isso é calcado na necessidade de pertencimento, de ser reconhecido como parte de um grupo, seja esse grupo de duas ou milhares de pessoas.

Na contramão dessa busca pelo mais moderno, mais bonito e mais legal, um grupo de Argentinos criou o UnCoolHunter, cujo lema é ‘na busca de não tendências antiglobais’. O portal, que tem o eixo principal em um blog, procura manifestações culturais que vão contra, ou que não se preocupem em seguir regras de bom gosto, beleza ou que sejam descoladas e modernas. De início, o que se vê por ali pode parecer deboche, mas não, o pessoal de UnCoolHunter, tem um objetivo, e até uma espécie de manifesto, escrito por Ariel Korzin, antropólogo e um dos inspiradores do movimento.  Em abril deste ano mandei um email respondendo aos chamados para correspondentes na capa do site.

Na busca pelas não-tendências os rapazes do UnCoolHunter, procuram correspondentes que contribuam com textos em inglês ou espanhol. Num portunhol muito bom, Javier Lourenço, fundador do site, me enviou esse manifesto, pedindo que lesse e analisasse se realmente queria participar do site. Acabei demorando pra ler e até hoje não respondi, mas cheguei a pensar pautas. Uma delas era uma matéria com Hélio dos Anjos, que no ano passado gozou de alguns meses de celebridade via internet, que o levaram até alguns programas da Globo. Natural da Serra gaúcha, Hélio começou a ficar famoso na região fazendo shows em boates, com  músicas românticas, de batida eletrônica e acompanhadas por coreografias impagáveis.

Ele ficou conhecido mais por ser uma figura caricata do que por sua originalidade, sim o rapaz fez uma grande mistureba e acabou criando um estilo só seu, sem saber, diria que ele seguiu uma cartilha modernista. O cantor teve certo hype, inclusive entre os descolados de plantão. Hoje, não se ouve falar muito dele por aí, pelo que pesquisei ele ainda faz shows pelas danceterias da serra. Por alguns meses o cool se apropriou do uncool.

Mantra

Preciso aprender a ser sintética. Sem perder o conteúdo.

Notes? Post-it.

Quando resolvi escrever sobre post-it pensei em fazer um histórico, mas a Wikipedia em inglês tem um tão bom que mudei de idéia. Resolvi procurar anúncios, caí num mar de opções e nenhuma me estimulou a escrever. Acabei voltando para Wikipedia e achei esta matéria do The Rake, que começa com as mudanças sofridas pelos escritórios chegada dos geeks (!) , me reanimei, não por causa dos geeks, e sim pelas mudanças, afinal, meu primeiro texto começava dizendo que mesmo com todos os gadgets existentes, na hora de planejar e apresentar idéias os Post-its são cada vez mais usados.

Ainda no artigo da Rake, eles fazem um histórico explicando toda a origem do produto a partir de Art Fry, engenheiro da 3M que é o pai das folhinhas canário. A partir da invenção de uma cola que ‘não é grudenta’, pelo químico Spencer Silver, a equipe da 3M passou a pensar produtos que utilizassem essa tecnologia. Foi criado um quadro de recados, com superfície pegajosa, tentando competir com os tradicionais quadros de tachinhas. A invensão não colou e acabou um fracasso de vendas. Aí, uma afirmação recorrente para quem trabalha com comunicação e design apareceu para a equipe da 3M:

To create a truly great product, you need a truly great problem.

E o problema apareceu num momento inesperado, clichê, mas nunca é demais lembrar da importância de estar atento as pequenas coisas e mais, de conectar tudo isso.  Fry sempre enchia de papéis o livro de cantos da Igreja, só que os papéis sempre caíam  e ele acabava se perdendo nas marcações. Surgiu aí uma idéia de como usar a nova cola.  Art Fry já estava envolvido em vários projetos na 3M,  para não perder a oportunidade de testar a nova idéia, utilizou uma brecha nos regulamentos da empresa: os funcionários têm 15% do seu tempo na empresa reservado para trabalhar em projetos que eles escolherem, e nesse tempo Fry desenvolveu os Post-its. Começou distribuindo para alguns amigos, e o boca a boca já fez efeito. Quando colocado no mercado o lucro de vendas estava previsto para cinco anos, ocorreu em dois. Art não ficou rico com a invenção , se aposentou há trinta e três anos, cinco anos depois do nascimento do Post-it, contudo, não demonstra arrependimento em relação aos seus quase quarenta anos de empresa, lá ele encontrou um ambiente estimulante, em que um insucesso não era razão para desistência e onde a colaboração e a união de diversos conhecimentos era o grande segredo.

Anúncio da 3M na Coréia Não entendo nada do que dizem,
fora Post-it, mas é divertido.

O parágrafo de cima parece até um post pago da 3M, mas esse não é um blog de aluguel. De fato, depois de toda a pesquisa, o Post-it acabou me trazendo de volta a questões que tem tudo a ver com o Kamikaze. Pensem comigo, numa jornada semanal de oito horas, 15% equivale a seis horas por semana, imagina se você se tivesse esse tempo no seu trabalho pra tocar projetos da sua escolha? Renderia?

Mais Post-its por aí

Campanha contra violência na Dinamarca, dica do Guerrilla-Inovation

Wallstrip – Buscando vídeos no You Tube, achei esse canal do site Wallstrip, que merece um post qualquer hora, já que sua proposta é misturar Wall Street e cultura pop. Eis o vídeo deles sobre o Post-it e a 3M


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